13 de abril de 2009

BIODIESEL a partir de Algas


Ok, ok.. muita gente falando mal do meu post sobre a pobre macrófita que poderia ser utilizada pra produzir biocombustível, e todo mundo caiu matando falando que a moda agora é microalgas, então resolvi fazer um post sobre o assunto claro!

Material e Métodos

Embora, entre as matrizes vegetais, a soja seja a principal base do biodiesel do Brasil, sua escala de produtividade é baixa – de 400 a 600 quilos de óleo por hectare – e tem apenas um ciclo anual. O girassol pode produzir um pouco mais, de 630 a 900 quilos. No entanto, pesquisa realizada no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare.

E, segundo o estudo, elas têm diversas outras vantagens. Do ponto de vista ambiental, o biodiesel de microalgas libera menos gás carbônico na atmosfera do que os combustíveis fósseis, além de combater o efeito estufa e o superaquecimento.

A alternativa também não entra em conflito com a agricultura, pode ser cultivada no solo pobre e com a água salobra do semi-árido brasileiro – para onde a água do mar também pode ser canalizada – e abre possibilidades para que países tropicais (como a Polinésia e nações africanas) possam começar a produzir matriz energética. Além disso, as algas crescem mais rápido do que qualquer outra planta.

“O biodiesel de microalgas ainda não é viável, mas em cinco anos haverá empresas produzindo em larga escala”, estima o biólogo Sergio Lourenço, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, responsável pelo estudo.

Lourenço identificou dezenas de espécies com potencial para produzir o biodiesel em larga escala. O problema é que a porcentagem de lipídios de cada alga não é alta – poucas espécies chegam a 20% de concentração. Mas a soja (18%) e o dendê (22%) também concentram baixas quantidades de lipídios. O amendoim concentra 40%.

“Se a matriz tem baixa concentração de lipídios, temos que acumular muito mais massa”, explica o biólogo. Por isso, ele e sua equipe trabalham em métodos para estimular a concentração de lipídios. “Por meio de técnicas de manipulação das condições de cultivo, conseguimos alterar a composição química nos meios de cultura, aumentando assim a concentração de lipídios. Em dez dias a biomassa está apta a ser colhida.”

Há pouco mais de um ano, o projeto vem sendo articulado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Agricultura, a Secretaria Especial de Água e Pesca e a Casa Civil, que conduz o Programa Nacional de Biodiesel.

De acordo com Lourenço, outra vantagem é que, assim como a cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, as microalgas demandam uma área pequena para seu cultivo e podem produzir uma quantidade de biocombustível bem maior.

“A cana-de-açúcar ocupa 2% da área agrícola do Brasil, aproximadamente 45 milhões de hectares. A Embrapa indica que o país tem ainda 100 milhões de hectares que pode ocupar. O programa energético prevê mais 2 milhões de hectares, ainda assim uma fração da área total disponível. Com o cultivo das microalgas ocupando apenas 1% da área que a soja utiliza hoje, pode-se produzir a mesma quantidade de biodiesel que ela produz ao ano”, afirmou.

(Fonte: Agência FAPESP)


Resultados e Discussão

Precisa falar mais alguma coisa? A utilização de microalgas para a produção de óleo vegetal, e consequente produção de biodiesel parece ser a alternativa de um futuro onde realmente possamos ter uma fonte de energia renovável e limpa.

Mas eu não poderia deixar de defender meu ultimo post sobre a cana-de-açúcar claro.

A grande questão americana no momento é produzir um bioetanol rentável, não porque é a melhor opção (o que definitivamente não é), mas acho que é porque existe uma demanda do mercado automobilístico por esse tipo de combustível. Acredito que exista algum interesse das petrolíferas nessa questão também devido a existencia dos carros "Flex", mas são somente suposições (risos).

Ou seja, do meu ponto de vista, existem duas linhas de pesquisa sobre biocombustíveis, porque existem duas demandas diferentes no mercado (bioetanol e biodiesel). enquanto houverem carros rodando por aí movidos a etanol ou "Flex" existirá a produção do mesmo, e nada mais certo pra mim que se continue a desenvolver pesquisas neste campo, e que se otimize a sua produção.

Obviamente, espero um futuro onde a tecnologia automobilística seja toda voltada a um tipo único de combustível renovável e limpo (biodiesel claro), mas acho que podemos esperar sentados pra ver isso acontecer.

Agora, tudo é uma questão de prioridades! Pra um país que quer ser vanguarda em biocombustíveis, negligenciar qualquer alternativa e super valorizar outras pode ser fatal...Minha avó já dizia "nunca coloque todos os ovos num tanque de combustível só".

Leia mais em:

Biodiesel From MIcroalgae


6 comentários:

Hugo Magalhães disse...

Acho de suma importância o levantamento dessas questões que só tendem a elevar o desenvolvimento do nosso país e de nosso planeta, para que tdos possam pelo menos ter a consciência de "ajudar" no desenvolvimento através dessas questões ambientais!!! Abração, Hugo

Luiz Bento disse...

Davi,

As microalgas podem produzir uma dezena de derivados, dentre eles o bioetanol. Além da produção de lipídeos, a produção de carboidratos pelas algas, principalmente nas membranas celulares, pode ser bem relevante. Claro que tudo depende das condições de cultivo, como ressaltado pelo seu texto.

Acho a produção de biocombustíveis terrestres algo importante, mas insustentável. Incentivo do governo para a maior produção dos latifundiários da agroindústria, financiando devastação da vegetação nativa do cerrado, perda de biodiversidade, emissão de outros gases estufa (como N2O e metano), dentro outros, é algo que pode dar lucro agora, mas é inviável em longa escala de tempo. Não sei se a produção por microalgas é a única saída, mas é a melhor ideia que tivemos até agora.

Bem a discussão é longa...

Abraços.

Davi disse...

Luiz concordo também que a produção de bioetanol por meio de plantações de macrófitas a longo prazo é insustentável, mas vc tem de concordar que entre uma tecnologia que já tem no minimo 30 anos de uso (bioetanol da sacarose ou até mesmo celulosico) tem toda uma estrutura de consumo já estabelecida.. assim como acontece muito claramente com o petróleo e seus derivados..
A pesquisa que envolve melhoramento dessas tecnicas (inclusive quanto ao aproveitamento da area de plantio) do meu ponto de vista não deve ser deixada de lado só porque encontramos algo melhor pelo caminho... foi essa a intenção do meu texto...

E outra, você acrecita em uma "agricultura familiar de microalgas?"...

Luiz Bento disse...

Claro que sim davi,

O bioethanol de cana está décadas na frente das algas em termos tecnológicos. A utilização do bagaço é algo que pode realmente aumentar a produtividade desta fonte, mas a área ocupada não vai parar de crescer, ainda mais com política de exportação que estamos implementando. Neste sentido que falo da agroindústria.

Estamos em um momento de transição de novas tecnologias. Tanto que não sou a favor de termos apenas energia eólica e solar na matriz energética do brasil. É inviável. Mas pesquisas com estas fontes não podem ser deixadas de lado.

Quanto a "agricultura familiar de microalgas", o problema não são os grandes produtores em si. Mas sim a mentalidade deles. Mesmo se tivéssemos "barões das microalgas" a área que eles utilizariam seria muito menor comparando com os vegetais terrestres. Mas como a produção de microalgas ainda vai ser algo não rentável por algum tempo, acho que estaremos livres destes "barões" por algum tempo. Até quando, ainda não sei :)

Mateus disse...

ótimo blog, Parabéns.

Anônimo disse...

Sr Davi, estou com 47 anos e nunca soube nada disso do que vcs falam e fazem, ouvi algo nos jornais mas nunca dei bola, paro no posto e encho o tanque e acabou.. rsrsrs... Hoje fazendo pesquisa na internet para um trabalho de escola de meu filho de 10 anos, li este post e estou boquiaberto com tudo o que li. Parabens à vcs por este trabalho!!! Gostaria de saber mais, se puder me enviar algum material,video, fotos... deniltons@hotmail.com. O trabalho de meu filho será apresentado dia 5/10/11. Obrigado!